
[...]Os hospitais psiquiátricos, instituições de internamento para quem sofre de perturbações mentais graves (dentro de um contexto), são quase sempre representadas com paredes brancas, pouca cor, batas brancas, vestuário uniformizado, coletes de força, cápsulas recusadas, e as pessoas, com movimentos a imitar o absurdo, repetidos, circulares, dentro do seu mundo, intocável sem a pronta resposta da agressividade violentada.
Desvirtua-se a verdadeira realidade psiquiátrica, partindo da qual se constata que grande parte das doenças mentais que no passado davam direito a internamento, hoje têm fármacos como suporte que permitem uma vida sem limitações. Grande parte das pessoas que hoje se sentam, não num divã mas numa simples cadeira, de um consultório psiquiátrico, depois de um dia de trabalho ou estudo, têm perturbações de ansiedade, depressivas, e outras trazem apenas a vida junto ao peito, e o coração frágil nas mãos. Precisam de ser ouvidas.
Provavelmente haverá ainda imensos hospitais como a ficção os descreve. E por isso confesso-me de alguma forma feliz por ter contactado com uma casa de saúde mental em que as residentes vestiam cores e comunicavam como ninguém a facilidade de um abraço, um sorriso ou uma gargalhada. Ali, a força de um abraço crescia exponencialmente.
Com uma condição apenas: alguém para os receber (e devolver).
E havia sofrimento no rosto e na alma. E havia choques eléctricos. E havia recaídas por parte do pessoal auxiliar. E havia quem vestisse de negro da cabeça aos pés. E havia esses movimentos circulares, do discurso, da vida contada e do corpo. E havia coletes de força.
Vi tudo isso que a ficção mostra. Mas também vi muito mais do que isso. É esse muito mais que sublinho. [clicar em "leia mais" para ver o texto completo.]