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The Blind Side

ou Um Sonho Possível, em português fácil.

um drama bem-disposto, que não precisou de uma grande história para fazer passar uma mensagem com conteúdo. A capacidade de se amar e sentir amado como condição necessária a um desenvolvimento e integração harmoniosos; a valorização do compromisso e conhecimento do  outro, os quais conduzem ao sucesso perante as adversidades; a irreverência saudável que dá colorido às atitudes e relações. E em pano de fundo as marcas de uma luta social entre negros e brancos.

Em 128 minutos, a razão e a (não)razão de acreditar nas pessoas, na vida e no destino. E concretizar.

A psiquiatria ficcionada


[...]Os hospitais psiquiátricos, instituições de internamento para quem sofre de perturbações mentais graves (dentro de um contexto), são quase sempre representadas com paredes brancas, pouca cor, batas brancas, vestuário uniformizado, coletes de força, cápsulas recusadas, e as pessoas, com movimentos a imitar o absurdo, repetidos, circulares, dentro do seu mundo, intocável sem a pronta resposta da agressividade violentada.

Desvirtua-se a verdadeira realidade psiquiátrica, partindo da qual se constata que grande parte das doenças mentais que no passado davam direito a internamento, hoje têm fármacos como suporte que permitem uma vida sem limitações. Grande parte das pessoas que hoje se sentam, não num divã mas numa simples cadeira, de um consultório psiquiátrico, depois de um dia de trabalho ou estudo, têm perturbações de ansiedade, depressivas, e outras trazem apenas a vida junto ao peito, e o coração frágil nas mãos. Precisam de ser ouvidas.

Provavelmente haverá ainda imensos hospitais como a ficção os descreve. E por isso confesso-me de alguma forma feliz por ter contactado com uma casa de saúde mental em que as residentes vestiam cores e comunicavam como ninguém a facilidade de um abraço, um sorriso ou uma gargalhada. Ali, a força de um abraço crescia exponencialmente.

Com uma condição apenas: alguém para os receber (e devolver).

E havia sofrimento no rosto e na alma. E havia choques eléctricos. E havia recaídas por parte do pessoal auxiliar. E havia quem vestisse de negro da cabeça aos pés. E havia esses movimentos circulares, do discurso, da vida contada e do corpo. E havia coletes de força. 

Vi tudo isso que a ficção mostra. Mas também vi muito mais do que isso. É esse muito mais que sublinho. [clicar em "leia mais" para ver o texto completo.]



Invictus

uma cela, um poema e um sonho.

Acabo de escrever a palavra e sinto-me como se pontuasse um soneto transpirado e inspirado pela força corrente do tempo e das histórias. Invictus.

Elenco, argumento e banda sonora orquestram de forma magistral a alma que transborda o destino de um homem e do país que liderou. com as palavras e o coração. outras vezes o silêncio.

Do filme como homenagem a Nelson Mandela não questiono a justiça de tal aventura. Nem o pretendo. Fico-me pelo fermento da vitória inspirada por uma cela fértil à solidão das palavras. dos versos fundidos com o lume e a dor que alimentam o sentido que dirige os sonhos.


Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate: 
I am the captain of my soul.                                   

poema de William Ernest Henley