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With every beat

.. of my heart,
e nem isso basta.

por vezes a expectativa deve cingir-se apenas à fidelidade das palavras que viajam pelas mãos que bordam as margens e os limites. - e suster a respiração para não ouvir -. como estas.

(mesmo aquelas que ficam por dizer, não descartam a lealdade ao pensamento a que dão forma. felizmente.)

Nem só de pensamentos vive um blogue

detesto (pseudo-)atitudes embebidas de um carpe diem vazio e disforme.
Mas hoje apetece-me ouvir - days go by - apenas porque sim. 
Faz vento e há estrada... So you better start livin' right now...


Absurdos Sentidos

A vida é tão rara,
entre avanços e recuos, tempos e contra-tempos, em contra-relógio em direcção ao rumo que se sente perdido à priori. Procurar em vão o que queremos, que se revela ser aquilo que a vida não quer. nem pode explicar. nem queremos entender. Dar. ainda que o façamos sem passar factura para que a memória não atraiçoe o que se recebe.
Sem saber, a procurar não deixar de querer não saber. porque às vezes cansa tocar o limite do que é certo, fazer tudo certo, e ver que afinal o rosto e a alma agarrados ao peito jazem isquémicos e vazios. 
Por isso respiro mais fundo, pelo abdómen - respiração completa - para expirar das lágrimas e das mágoas e ficar apenas com o que pode ficar. com o que quero revisitar amanhã quando acordar deste sono de absurdos que sinto, sem sentido. que não consigo crer nem entender.


imagem:http://francoiseterzian.blog.uol.com.br/images/Labirinto.gif

intermitências da dor



Às vezes consegue-se conter o grito, emudecê-lo e fingir que sim, estamos bem porque não estamos muito mal (ou pior). mas outras vezes apetece mesmo calar os ruídos em cada silêncio, um a um,  e espalmar ranho e lama nas palavras oferecidas ao grito que dói. 

circulares, inúteis, cépticas, as palavras lavadas pelo grito que se faz choro, tinta e papel. 

Mas porque sim. porque os gritos espalmados nem sempre encontram prateleiras no coração. porque o silêncio fingido esgota a alma e inflama a vida. 
a toxicidade oferecida às palavras não é egoísmo, é antes um meio de subsistência. barato e cómodo. 

porque as palavras, 
escutam sem cobrar nada. ouvem sem de imediato abrirem o armário dos conselhos e das sabedorias que não servem para nada. empatizam a alma sofrida sem apontar o dedo às não razões que nutrem a não esperança. (não, ninguém sofre porque quer.)


e as palavras,
sabem sempre o espaço de silêncio que a dor concede a cada grito. enxugando as  lágrimas como quem pontua um parágrafo, 
(antes de virar a página.)


imagem:http://aura1.gaia.com/photos/14/133669/large/CryingChildEye.jpg