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De que morte temos medo?

E a dor?, perguntou a si mesmo. Que é dela? 
Então, dor, onde estás tu? Ficou atento. 

Sim, cá está ela. Pois bem, deixá-la doer. 
E a morte? Onde está ela? 
  (Tolstoi, A morte de Ivan Ilitch)

Cs, in "A Voz do Minho", Março de 2009

Casa do medo, casa da Esperança

O Hospital como Lugar de Esperança


“Esperança
Quero que sejas
A última palavra
Da minha boca.”
(Miguel Torga)

[...] Afinal, não será de todo ridículo sublinhar o contracenso: mais esperança no tempo, menos tempo para a esperança.[...]

CS, in "A Voz do Minho"
 Abril de 2009


S.O.S.

Save Our System

Eram duas depois do meio daquela noite. Entrou, cuidadosa, e sentou-se.
Tinha tosse. Congestão nasal e episódios de afonia recidivantes.
- e como é que se chama?
Esqueceu a resposta. E continuou.
Estava mal, era de noite e tinha falta de ar.
- dispneia?
Não entendeu e prosseguiu o relato da dor que ninguém via. Nem a gasimetria, nem o esfigmomanómetro, ainda menos o ECG. Os sinais vitais diziam que estava normal.
- normal.
Mas tinha perdido 20 kg desde o ano passado. Uma cirurgia para redução mamária e um prontuário terapêutico móvel. A culpa era do sistema nervoso.
- mas de doenças, não tem mais nada?
- não durmo.
- pela dispneia? Pela tosse? Tem dor?
- não. Deve ser do sistema nervoso.
Padrão de sono normal – registou.
- Para além do antibiótico e do broncodilatador, não toma mais nada?
- de medicamentos não. Só tomo uns comprimidos para o sistema nervoso.
Normal.
Raio-x torácico normal.

Diagnóstico diferencial com a vida: não tinha nada. Apenas sofria.
Mas a base de dados não conhecia a palavra sofrimento. 

 imagem:http://blog.apeloeh.com

Tratamento da depressão: cuidados primários ou especializados?

não deixa de ser interessante verificar que, dado o estigma e por vezes a ignorância, no que refere à doença depressiva, bem como a existência de recursos, ao nível das USFs, não especializados mas suficientemente qualificados,  o tratamento destas doenças na vertente dos cuidados primários poderá ser tão eficaz como aquele que é feito pelos cuidados psiquiátricos especializados...

Does Depression Matter?

retirado do artigo Keys to Successful Treatment of Depression in Primary Care CME

Thomas L. Schwartz, MD; Ann M. Sweet, RN, BS, NPC

At the outset, clinicians have to realize that major depressive disorder (MDD) is a common illness. MDD is highly comorbid with other common medical conditions and is often chronic in nature. Depressive comorbidity often worsens medical outcomes and increases healthcare utilization. The public health impact of MDD was noted in the Medical Outcomes Study, which determined that depression was more impairing in terms of patient functioning and well-being than arthritis, diabetes mellitus, and hypertension, among others, and is more disruptive for social functioning than all of the chronic medical conditions compared in that study. Moreover, the Global Burden of Disease study suggests that by the year 2020, MDD will be the second leading cause of death and disability worldwide.
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Finally, MDD is likely the most frequently treated psychiatric disorder, and antidepressants may be some of the most frequently written medications in all of medicine. If clinicians fail to understand these initial key facts about MDD, then they will have greater difficulties seeing the reasons behind routine screening for its presence, and employing the eventual corresponding treatment options.
The positive news is that with systematic assessment and treatment, patients respond just as successfully to depression treatment in the primary care setting as in specialized psychiatry practices.