mais do que as palavras

dizia eu, há algumas linhas atrás, que este espaço de alguma forma espelharia um percurso pelos meandros da medicina e respectivas derivações (pós-cordiais). pois bem, hoje apetece-me dizer de um assunto altamente pertinente e com repercussões claras na prática clínica futura e próxima (se se der o caso de o estudante socializar);

e não,
não se trata de nenhuma técnica padronizada de estudo selectivo, estratagemas de optimização para esquemas de memorização; conteúdos hipotético-analíticos de matérias esotérico-alienígenas; evidências científico-indexadas de alguma espécie ou sistematizações filosófico-existenciais de utilidade nulificada.

não, nada disso.


trata-se da amizade.

das palavras absorvidas pela certeza de se ser e saber não só.

mais do que as palavras.

bastante mais até do que o silêncio intervalado, pelas palavras gastas.

da toxicologia às palavras não ditas

ou não fosse este um espaço onde se pode dizer. Não deve ser de todo absurdo pensar que talvez exista um modelo linear que relacione o número de palavras não ditas com a respectiva  capacidade de indução tóxica. 
 
Palavras não ditas ao vento, à alma, ao pensamento fluido. 
 
Segundo Damásio, pensamos sempre em imagens, ou seja, verbalizamos partindo de uma base gráfica; o que só acrescenta significância e validade a esta hipótese: as palavras são uma espécie de depurador natural que permite ao pensamento soltar-se das amarras de uma mente que, quando circular, (porque só), aprisiona e atrofia. até à asfixia.

podes dizer III

da película que te oferece o negativo das histórias
Ou como quem diz, das reticências que acrescentas quando pergunto como estás. 
 

 
 

noites de urgência, a última

por enquanto, espero.
(um parêntesis até ao regresso.)



E um daqueles dias em que a chuva do lado de fora se ouviu bem fundo, bem dentro. até ao sal vertido nas palavras gastas, ouvidas debaixo de uma bata branca, a purificar o cansaço, a apatia, o desgaste.

como um guarda-chuva aberto entre quatro paredes.Um tecto de incertezas e a humidade do estetoscópio aquecido pelas febres e suores frios de quem ali se abrigava do medo de perder. de não chegar a tempo a casa. sós em casa.